Paraíba

ARTIGO

OPINIÃO | A última árvore de uma rua da ex-"cidade verde"

'[...]As condições para a preservação do verde - e da vida - estão sendo inviabilizadas. E o calor causticante aumenta'

Brasil de Fato | João Pessoa - PB |
Reprodução - Foto: Arquivo Pessoal

Hoje pela manhã, a caminho de Intermares, me deparei com essa árvore caída. Certamente, como todo ser vivo, ela teve seu fim por algum motivo, seja por morte morrida, seja por morte matada. Era a última árvore de algum porte dessa via pública. 

Acontece que em João Pessoa, nos tempos mais recentes, essa tem sido uma cena corriqueira. Rua a rua, bairro a bairro.


Reprodução / Foto: Arquivo Pessoal

Árvores têm morrido de morte principalmente matada. Os moldes de desenvolvimento urbano adotados, com maximização dos lucros da indústria da construção civil e de sua irmã gêmea, a especulação imobiliária desenfreada, tem eliminado o verde do nosso cenário. 

A não ser que aceitemos como "verde" a hipocrisia de um monte de condomínios com nomes como "Green alguma coisa" ou a existência de famélicas palmeirinhas ou gramados ralos, às vezes até sintéticos.


Reprodução / Foto: Arquivo Pessoal

No mais, é uma convivência bastante ampla do poder público, que segue a reboque dos interesses privados, que entendem a manutenção de árvores urbanas como "custos" e prefere erradicar o verde. Para esses interesses, o único verde que importa é o das notas de dinheiro. O aquecimento da cidade (e do globo, com base nesse mesmo princípio) pouco lhes importa, porque vivem da ilusão de que se detonarem uma cidade, vão fugir pra outro lugar onde haja o suposto verde que eles sonegam à maioria. 


Reprodução / Foto: Arquivo Pessoal

As condições para a preservação do verde - e da vida - estão dia a dia inviabilizadas. E o calor causticante aumenta. Para deter isso, certos limites têm de ser estabelecidos para os donos do lucro. Mas eles querem? 

Enquanto esse tipo de urbanismo anti-árvores (e anti-pessoas) continuar, o calor aumentará e não será resolvido com ar-condicionados, que demandam energia, que deverá ser produzida a custo de mais danos ambientais. Como qualquer cidadão pode circular numa cidade hostil, em ruas que estão se tornando verdadeiros fornos? E como tentar ignorar que essa crise ambiental está diretamente ligada à falência do modelo social?

Fica essa rua - como tantas - totalmente sem árvores. Cabe uma singela homenagem aos que teimam em defender a elas e às pessoas.

*Ângelo Emílio da Silva Pessoa - professor de História


Apoie a comunicação popular, contribua com a Redação Paula Oliveira Adissi do Jornal Brasil de Fato PB

Dados Bancários
Banco do Brasil - Agência: 1619-5 / Conta: 61082-8
Nome: ASSOC DE COOP EDUC POP PB

Chave Pix - 40705206000131 (CNPJ)

Edição: Cida Alves