Minas Gerais

ALTERNATIVA

Para vereadores de esquerda, crise na Câmara de BH só se resolverá com eleição da Mesa Diretora

Desde que o impasse começou, projetos importantes para a capital mineira ficaram travados

Belo Horizonte (MG) | Brasil de Fato MG |
A crise é fruto de uma crise entre o grupo político de Gabriel e o prefeito Fuad Noman (PSD). - Foto: Cláudio Rabelo/CMBH

Na mesma semana em que Gabriel Azevedo (sem partido), presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), comemorou o arquivamento de um pedido de cassação contra o seu mandato, a abertura de um novo processo de mesmo tipo foi aceita pela maioria dos vereadores da capital mineira.

O impasse, que já dura três meses e pode se prolongar por mais três, já que o prazo de definição da CMBH sobre o novo pedido também é de 90 dias, é fruto de uma crise entre o grupo político de Gabriel e o prefeito Fuad Noman (PSD).

Para os vereadores de esquerda, a resolução do conflito, que tem dificultado a discussão e aprovação de projetos relevantes para a capital mineira, passa por uma nova eleição de todos os membros da Mesa Diretora.

“A condução da Casa Legislativa está insustentável, já perdemos o projeto de lei da emergência climática e os empréstimos para garantir obras de urbanização. Acreditamos que é necessária uma recomposição da mesa diretora, por meio do diálogo, para que haja um ambiente saudável e democrático”, disse a vereadora Iza Lourença (PSOL), ao Brasil de Fato MG.

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Disputa de poder

No sábado (2), Iza e os outros quatro vereadores da bancada progressista da Câmara, Cida Falabella (PSOL), Bruno Pedralva (PT), Pedro Patrus (PT) e Doutor Célio Frois (PV), lançaram uma nota, convidando os colegas a considerarem a possibilidade de renovação completa do grupo que coordena os trabalhos da CMBH.

“Defendemos a renúncia coletiva e simultânea de todos os membros da mesa diretora, e a composição com novos membros, respeitando as atuais forças políticas do poder Legislativo municipal”, diz o texto.

Os signatários da nota acreditam que a permanência de Gabriel na presidência da Casa não trará harmonia para a relação entre o Legislativo e o Executivo. Ao mesmo tempo, os cinco vereadores também acham que a substituição pelo atual vice-presidente, Juliano Lopes (Agir), não restabelecerá uma pacificação entre os poderes.

O vice é membro do grupo político de Marcelo Aro (PP), secretário da Casa Civil do governo de Romeu Zema (Novo). Com o desenrolar do conflito, o prefeito acabou aproximando os aliados de Aro para a sua base.

“É fundamental entender que a briga entre os grupos do Gabriel e do Marcelo Aro é uma briga por poder, que não traduz divergências reais na sociedade. Ambos são grupos conservadores, de direita e liberais. A gente precisa entender que a saída é democrática, com a recomposição da Mesa Diretora, para que todas as forças estejam representadas e a Câmara cumpra o seu papel”, comenta o vereador Bruno Pedralva (PT).

Edição: Larissa Costa