Paraíba

AGROECOLOGIA

Jovens camponeses/as realizam 10ª Feira Cultural e Agroecológica em Arara/PB

O evento acontece pela manhã desta quinta-feira e terá vendas de produtos, apresentações culturais e falas políticas

JOÃO PESSOA/PB |
Juventude camponesa - Foto: Edson Silva. Acervo: AS-PTA.

Nesta quinta-feira (30), a juventude camponesa dos municípios que fazem parte do Polo da Borborema realiza a 10ª Feira Cultural e Agroecológica da Juventude, no centro de Arara/PB. O evento vai reunir cerca de 450 jovens da zona rural do município sede, além de Remígio, Esperança, Areial, Alagoa Nova, Lagoa Seca e Queimadas. O tema desta edição é Caatinga Viva, Floresta em Pé: em defesa da Borborema Agroecológica.

Durante a feira, haverá vendas de produtos da agricultura familiar agroecológica – in natura, beneficiados, mudas e artesanato - em 20 barracas. O evento também vai contar com apresentações musicais, teatro de rua encenado pelos jovens do Polo e teatro de bonecos; e falas sobre a importância das políticas públicas para a defesa do bioma e das vidas abrigadas na Caatinga, humanas e não humanas.

“Percebemos que precisamos falar mais da urgência da conservação e preservação do nosso bioma que, durante muito tempo, foi tido como sem vida, sem importância. Principalmente, agora, que nosso território está sendo alvo das indústrias de energia renovável”, realça Adailma Ezequiel, uma das lideranças da juventude do Polo da Borborema. 


Card divulgação da 10ª Feira Cultural e Agroecológica / Instagram: @agroecologiaaspta

A feira regional é o ápice de um processo de formação que envolveu encontros municipais preparatórios e um intercâmbio em um assentamento de Remígio para uma imersão no bioma. Cerca de 240 jovens de oito municípios participaram de todo o processo.
 

Único no mundo e degradado

A Caatinga tem metade de sua área desmatada, com centenas de espécies em risco, segundo pesquisa das universidades federais do Rio Grande do Norte, ABC (UFABC) e da USP (Universidade de São Paulo).O estudo “Áreas Prioritárias de Restauração da Caatinga” foi realizado entre 2014 e 2021 e publicado em março do ano passado na revista científica Journal of Applied Ecology.

O desmatamento amplia a deficiência hídrica da região e aumenta ainda mais a irregularidade de chuvas. Isso tudo leva a região semiárida a se tornar árida, com características similares ao deserto, o que já é realidade no Norte da Bahia.

Sequestro de carbono 

 A Caatinga é, entre as florestas estudadas no mundo, a mais eficiente em termos de sequestro de carbono mesmo em período de seca, quando as folhas caem. 

“Em área de Caatinga mais úmida – essa que temos na Borborema – ela sequestra até cinco toneladas por hectare. Em área mais seca, entre 1,5 a 3 toneladas/hectare”, revela Aldrin Martin Pérez-Marin, pesquisador do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), ligado ao Ministério das Ciências e Tecnologias.

Segundo Aldrin, de cada 100 toneladas de gás carbônico sequestrado, 45 toneladas ficam no sistema em forma de madeira. “Se estoca carbono tanto na vegetação quanto no solo. Nessa Caatinga mais densa, temos quantificado 125 toneladas de carbono estocadas por hectare. Nas áreas mais abertas, 85 toneladas. Quando transformamos essas áreas em parques eólicos e solares, esse carbono é emitido [para a atmosfera].”

Desmatamento das indústrias de energia 

O Relatório Anual do Desmatamento (RAD), divulgado pelo MapBiomas, revelou que, em 2022, mais de 4 mil hectares da Caatinga (4 mil campos de futebol) foram desmatados devido às atividades das usinas de energia eólica e solar, incluindo as linhas de transmissão.

Esses dados evidenciam que, mesmo do ponto de vista climático, a geração de energia centralizada, por meio de grandes parques industriais instalados bem no meio da Caatinga, não reduz a emissão de gás carbônico para a atmosfera. Por isso, não provoca o efeito da descarbonização do planeta, como se divulga aos montes.

Se os quatro mil hectares de Caatinga, derrubados por conta da instalação dos parques eólicos e solares, tivessem em pé teríamos de 6 mil a 20 mil toneladas de carbono sequestrados por ano.

"Nós não estamos no bioma. Nós somos o bioma”.

 A relação entre bioma e povos que vivem nele não é de uso da área, simplesmente, mas de ser e viver como o bioma. Quando se observa a Caatinga, se percebe que ela tem uma coloração branca acinzentada por pura estratégia, para refletir a luz do sol mais do que absorvê-la. Outra estratégia é perder as folhas para transpirar menos e acumular água no seu tronco.

Os povos do Semiárido, uma região, na sua maior parte, coberta pela Caatinga, precisam fazer reserva de água e alimento para passar pelo “verão”, época em que não chove e, portanto, não se planta.

Além disso, quem vive na Caatinga há gerações conhece as sementes, sabe quando é tempo de plantio, o que fazer para ativar o poder de germinação das sementes, qual a semente mais adequada para o inverno como mais ou menos chuvas. Conhece também o poder medicinal das plantas, entre tantos outros saberes acumulados pelas famílias catingueiras.

“Assim como a Caatinga, que quando dá a primeira chuva, se renova, somos nós, o povo da Caatinga, que se reinventa e se reconstrói na adversidade que vivemos”, declara Adailma.


Programação completa


8h - Banda de forró de Arara: Chamego da pisadinha e Apresentação da Banda Marcial de Arara 
9h -  Abertura Oficial + Acolhida das caravanas
9h10 - Esquete Teatral
9h30 - Depoimentos
10h30 - Teatro de Boneco (Apresentação de Alisson)
11h15 - Fala Política 
12h - Encerramento

Fonte: Assessoria da AS-PTA  Agricultura Familiar e Agroecologia.

 

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Edição: Carolina Ferreira