Paraná

LUTA ANTIRRACISTA

Em Curitiba, movimentos exigem delegacia especializada em crimes de racismo

Agenda de mobilizações segue durante a semana

Curitiba (PR) |
O Paraná não possui uma delegacia especializada em investigações de casos de racismo e injúria racial - Giorgia Prates

O movimento negro de Curitiba se reuniu no dia 29 de novembro com movimentos populares e organizações políticas para elaborar uma agenda de combate ao racismo em Curitiba.

A pauta prioritária, apontam as organizações, é a justiça para Neno, músico negro, agredido por Paulo Cezar Bezerra com extrema violência e covardia. Bezerra desferiu ofensas racistas ao músico, enquanto o agredia com cacetete e cão de ataque.

As lideranças presentes na reunião apontaram a indignação da sociedade civil, em especial da comunidade negra, com o tratamento dado pelos agentes da Polícia Militar ao caso de racismo e tentativa de homicídio contra Neno – uma vez que registraram Boletim de Ocorrência como lesão corporal leve.

Apenas dias mais tarde, depois de realizar nova ação de agressão, e de até mesmo aparecer como convidado no programa Tribuna da Massa, do SBT, Paulo Cezar Bezerra foi preso.

A mobilização das organizações, no entanto, segue permanente, com atos, panfletagens e caminhadas ao longo da semana.

“Segue a mobilização por dois motivos: para denunciar crimes de racismo, mesmo que Paulo Cezar tenha sido preso. Ele é contratado por comerciantes da região para expulsar quem eles julgam dignos de estar ali naquele espaço, numa política de higienização. Essa é a questão de fundo. A ideia do ato de hoje é sair da UFPR e ir até o entorno onde aconteceu a agressão e terminar na delegacia”, convoca Luiz Carlos dos Santos, professor estadual e integrante da Secretaria de Combate ao Racismo da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Pauta por uma delegacia de crimes de racismo

O Paraná não possui uma delegacia especializada em investigações de casos de racismo e injúria racial. A agressão sofrida por Neno, inicialmente, teve registro de BO apenas como “lesão corporal leve”, e audiência preliminar apontada para março de 2023.

Isso indica a urgência de um espaço especializado em crimes cotidianos como esse. “Essa pauta surgiu da conversa com delegado que colheu depoimento no primeiro DP, que é negro. Discutimos a falta desses espaços. O que agora vai exigir pressão sobre o governo do Paraná e sobre o Ministério Público”, aponta Luiz Carlos dos Santos.

No seu chamado, as organizações populares reforçam que o caso que vitimou o músico Neno não é um caso isolado. Santos reforça que o momento é de acúmulo para que a luta antirracista se fortaleça e paute o próximo período. “Todas as organizações devem sair de suas questões corporativas e abraçar essa luta”, aponta.

Agenda de mobilizações

01/12 - quinta-feira | 18h

Ato e caminhada por Justiça para Neno!

Concentração na Praça Santos Andrade

03/12 - sábado | 18h

Manifestação e Panfletagem por #JustiçaPorNeno

No Cavalo Babão, Largo da Ordem

04/12 - domingo | 14h (A confirmar)

JUSTIÇA POR NENO! Repúdio à violência racista sofrida por Neno

Local: nas Ruínas de São Francisco


A mobilização das organizações, no entanto, segue permanente, com atos, panfletagens e caminhadas ao longo da semana. / Divulgação

Sobre o caso

No dia 22 de novembro, um homem negro foi brutalmente violentado no centro de Curitiba. O músico Odivaldo Carlos da Silva, também conhecido como Neno, foi vítima de uma violência racista e, possivelmente, neonazista.

Sofreu lesões graves na cabeça, olhos, maxilar, braços, tórax e pernas em razão dos golpes de cassetete (tonfa) e das mordidas de um cachorro, treinado para esse tipo de ataque.

O criminoso foi identificado como Paulo Cezar Bezerra da Silva e segundo testemunhas que presenciaram as violências, enquanto agredia Neno, também desferiu xingamentos racistas, dizendo: “Macaco! Negro! Morador de rua tem que morrer!”.

Edição: Pedro Carrano