Paraíba

SAÚDE SOB ATAQUE

SINTECT/PB convoca ato de protesto contra o fechamento do Ambulatório Interno dos Correios

O protesto está marcado para as 7h da manhã no COA - sede na BR, nesta terça-feira (21)

Brasil de Fato | João Pessoa - PB |
Reprodução - Foto: Ilustrativa

O Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos na Paraíba, empreiteiras e Similares - SINTECT-PB convoca um ato de protesto contra o fechamento do Ambulatório Interno dos Correios no COA - Complexo Operacional Administrativo dos Correios, localizado na BR.

O protesto está marcado para a próxima terça-feira (21), as 7h da manhã, em frente à unidade, com um carro de som, faixas e uma tenda. O SINTECT-PB faz o chamamento para todos os trabalhadores participarem do momento.

O encerramento do serviço do Ambulatório está marcado para o dia 01 de julho. A empresa Correios alega alto custo para a manutenção do serviço, que é gratuito para usuários, sendo as despesas de responsabilidade da mantenedora Correios. O serviço atende aproximadamente 400 trabalhadores entre funcionários dos Correios e terceirizados que prestam serviço no prédio.

“Isso irá trazer um enorme prejuízo aos funcionários. Mesmo com 3,7 bilhões de lucro, o maior da história dos CORREIOS a direção da empresa quer fazer economia as custas da saúde dos trabalhadores. Além do ato na terça-feira, nós já estamos preparando uma ação para ingressar na justiça contra o fechamento desse ambulatório”, afirma Tony Sérgio, atual secretário geral do SINTECT-PB.

O Ambulatório Interno dos Correios dispõe de médicos e dentistas que estão disponíveis para atendimento a aposentados, beneficiários, terceirizados e empregados da ativa, em casos de atendimento simples e até algumas pequenas emergências como cortes e queimaduras. 

O serviço existe desde a fundação dos Correios em João Pessoa, na década de 1970. No COA, o ambulatório existe desde quando o prédio foi fundado, em 1998.

Os dados apresentados ao Conselho apontam que o Correios economizaria R$ 5,8 milhões/ano com o fechamento dos atuais ambulatórios no país. Em ata, foi encaminhado o fechamento de todos os sete ambulatórios da federação: no CE - Sede, PB - Sede, RJ - Centro, RS - Sertório e SPM - Jaguaré, Santo Amaro e Vila Maria.

Leia aqui a ATA DA 167ª REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO - REUNIÃO ORDINÁRIA - POSTAL SAÚDE - CAIXA DE ASSISTÊNCIA E SAÚDE DOS EMPREGADOS DOS CORREIOS

O SINTECT/RS publicou um texto em que disserta sobre os motivos contrários ao fechamento do serviço. Leia abaixo

Não ao fechamento do Ambulatório da Sertório

Há algum tempo os trabalhadores vêm denunciando e resistindo ao fechamento do ambulatório do Complexo da Sertório.  A medida vem sendo tomada pela empresa e pela Postal Saúde, sob o argumento de que não seria uma obrigação legal e nem viável financeiramente.

Infelizmente, um acidente ocorrido no local nesta segunda (23), mostrou exatamente o contrário e desmontou o discurso da empresa. Um trabalhador se acidentou gravemente, com intenso sangramento e necessitou de atendimento urgente. E foi exatamente no ambulatório da unidade, que contava com médica e enfermeira, que ele recebeu os primeiros socorros enquanto aguardava a SAMU chegar ao local, o que nem sempre se dá de forma rápida, frente ao brutal desmonte do governo com o próprio SUS.

O ambulatório representa um atendimento que, em alguns casos, pode significar a diferença entre viver e morrer, dependendo da gravidade do ferimento ou situação.

RS NÃO É O ÚNICO

A intenção do Correios/Postal Saúde de fechar ambulatórios e retirar um atendimento importante para os trabalhadores, não se limita ao RS. O objetivo é fechar os sete ambulatórios que existem no País.

A intenção da iniciativa está clara na ata (VEJA AQUI) da reunião do Conselho Deliberativo da Postal Saúde do final de abril, publicada nesta segunda (23). No documento, é tratado, entre outros assuntos, o fechamento dos ambulatórios da Sertório, no RS, e em outras localidades (PB, RJ, Jaguaré, Santo Amaro e Vila Maria).

Entre os argumentos explicitados na Ata, a empresa/Postal justificam o fechamento com o fato de que os ambulatórios estariam atendendo trabalhadores que não estão inseridos no Plano de Saúde, sendo utilizado por terceirizados e, ainda, porque não há nenhum tipo de compartilhamento de valores pelos trabalhadores atendidos, além de problemas estruturais, de funcionamento, de equipamento e até de documentação, o que estaria expondo os Correios e a Postal a multas. Foi citada ainda como motivo de fechamento o “baixo atendimento e resolutividade”.  A empresa só esquece que os “problemas estruturais” são resultado do desmonte que vem sendo promovido por sucessivas gestões da empresa.

Só que no próprio documento está o que talvez seja a verdadeira razão de a empresa interromper este importante serviço para a saúde da categoria. Os dados apresentados ao Conselho apontam que o Correios economizaria R$ 5,8 milhões/ano com o fechamento dos atuais ambulatórios no país. Além disso, a empresa faz novamente o que ela faz de melhor: intrigas e o jogo de colocar trabalhador contra trabalhador, quando diz que “o ônus da manutenção dos ambulatórios é de todos os beneficiários da Postal, já que entra na conta de gastos dos Correios com despesas de suporte à saúde”.

DESCASO COM A VIDA

Como ficou evidente durante a pandemia, a empresa mais uma vez mostra seu descaso com a saúde e a vida dos trabalhadores. O acidente desta segunda deixou claro a necessidade destes setores e a sua não utilização deveria ser motivo de comemoração, porque significaria que as condições de trabalho estão adequadas e preservam a vida e a saúde dos trabalhadores. No entanto, a empresa usa este argumento para precarizar e expor os/as trabalhadores/as, retirando uma importante ferramenta de amparo nos casos de acidentes.

A precarização no Correios não tem fim e chega inclusive à saúde e segurança dos trabalhadores. Tanto que nem os brigadistas, nem cipeiros tinham luvas ou qualquer material de primeiros socorros, e acrescentar a essa precariedade o fechamento do Ambulatório pode trazer imensos e graves prejuízos aos trabalhadores.

 

 

Edição: Heloisa de Sousa