Paraíba

OPINIÃO

Bolsonarismo sem Bolsonaro. Não é primeiro de abril.

Duas novidades no terreno da política nacional: a recomposição da centro-direita e o ressurgimento de Lula.

João Pessoa - PB |
Jair Bolsonaro vivencia a maior crise em seu governo. - Evaristo Sá/AFP

Por Jaldes Meneses*

Todo dia acontece coisa nova. É até difícil acompanhar a voragem dos acontecimentos. Mas duas novidades parecem a caminho no terreno da política nacional:

1. Existe no ar, além dos aviões de carreira, uma tentativa de acordo de composição, agora e já, de um único eventual candidato presidencial no campo de centro-direita (Dória, Amoedo, Huck, Mandetta, etc.), desta vez anabolizado com Ciro Gomes. Vamos ver se vai dar certo ou não.

Especulo que essa recomposição passa, hoje, na condição de um possível segundo passo: pelo ressurgimento da proposta de impeachment. Bolsonaro seria apeado da possibilidade de concorrer em 2022. O capitão já demonstrou que é osso duro de roer em termos de entrega do poder; certamente, cairia atirando. Também acho que essa solução, obviamente, passaria por algum tipo de acordo político, que necessariamente teria o sinal verde dos militares, com Hamílton Mourão como presidente encarregado de uma transição até 2022.

São momentos e personagens muito diferentes, mas Itamar Franco, na década de 1990, pós-Collor, cumpriu um papel de transição ao abrir espaço para o Plano Real. O projeto da centro-direita pode ser redefinido, no limite, como uma espécie de bolsonarismo sem Bolsonaro, limando os desatinos do atual presidente, mas preservando as promessas neocoloniais e antissociais do neoliberalismo.

2. O ressurgimento de Lula, sem dúvida, reconfigurou o espaço da política. Resta saber como ele, os partidos populares e o bloco histórico democrático-popular podem e devem resistir às novas recomposições e à carga pesada que pode vir por aí de uma centro-direita unida e reconfigurada.

 

*Professor Titular do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Edição: Cida Alves