Paraíba

Coluna

Pandemia Política, Vírus Democrático, Vacina Capitalista.

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Imagem ilustrativa. - Foto Divulgação
Nasceu lá no socialismo da China e foi engolida pela voracidade capitalista.

A Pandemia

Nem o mais competente de todos os marqueteiros bolaria um projeto publicitário que rendesse tantos holofotes para iluminar as ambições presidenciais daquele governador. Disputa renhida com aquele presidente, que utiliza os mesmos holofotes pandêmicos para, vejam vocês, estimular as visitas dos brasileiros aos hospitais, às UTI’s, aos necrotérios.

Quem será mais lembrado em 2022? O governador que investiu de olho nas recomendações científicas ou o negacionismo explícito do presidente? 
A pesquisa CNT/MDA dá uma pista: 54% dos brasileiros aprovam as metodologias do capitão na condução do apetite necrológico do corona. O capitão, fale-se a pura verdade, é aquele que vive a estimular a transmissibilidade do vírus com gestos e palavras e, pasmem, rejeitou 70 milhões de vacinas da Pfizer e 45 milhões da Sinovac.

Mesmo assim, para os habitantes dessa Terra de Santa Cruz, a vacina chegou ao Brasil, não pelo esforço do governador (21%), mas pelas mãos do presidente (24,5%). Há de se convidar todos os experts que vivem a perscrutar os labirintos tortuosos de pesquisas para explicar tamanha aberração.

 

O Vírus

Compare-se o padrão social das vítimas do bacilo da tuberculose, em sua predileção toda especial pelo organismo frágil dos inquilinos da base da pirâmide, com os infectados pelo SARS-CoV-2 e vai-se enxergar que o vírus da Covid-19 não demonstra o menor respeito ao padrão nutricional de suas vítimas. Passeia com desenvoltura por todos os batentes da pirâmide, sem dar a mínima para a mesa farta da galera mais chique.

Ocorre que essa democracia se esgota completamente quando ele invade, com toda força, uma sociedade estratificada, absolutamente desigual. Na moradia, nos recursos de proteção ao vírus, no nível de informação. 

 

A Vacina

Nasceu lá no socialismo da China e foi engolida pela voracidade capitalista. 

Na batalha da OMC (Organização Mundial do Comércio) para quebrar patentes das vacinas, países em desenvolvimento, tendo à frente a África do Sul e a Índia (com o voto da Santa Sé), bateram-se contra o apetite voraz dos grandes laboratórios, concentrados em países da União Europeia, Japão, Noruega, Suíça, Canadá, EUA.  A ideia, diante de uma das maiores tragédias da humanidade, seria permitir o acesso  da vacina às populações mais vulneráveis, distribuídas nos países do terceiro mundo, eternamente martirizadas por um sistema insensível, manipulado exatamente por aquelas nações que levam para casa a maior fatia do que se produz no planeta. 

A perversidade fica tão mais explícita quando a realidade aponta para 113 países sem ter um único habitante devidamente protegido contra a agressividade do vírus. Informe-se, ainda, que a política norteamericano-dependente do governo bolsonarista respaldou, num primeiro momento, a proposta ambiciosa, egocêntrica, insensível daqueles países que concentram 75% das vacinas disponíveis no mundo.

Despolitizar a pandemia, democratizar o acesso às vacinas e a participação coletiva nas medidas de contenção da transmissibilidade do vírus são os pilares indispensáveis ao controle efetivo dessa tragédia chamada Covid-19.
 

Edição: Henrique Medeiros